Free Memory

Todos temos memória, alguns mais, com mais vontade que outros, vontade de amar algo que seja, de lembrar, de não estar só, de estar maravilhosamente memorável.
Faremos utilmente ou não uso dela, cada um faz o uso que pode e no que pode o que deseja, mas existirá uso mais terno, mais doce, do que a memória de ser, de ter e viver, a memória de um dia conhecer para a quem amamos dizer "foi aqui", que não ficámos na memória, que fomos e existimos ali, naquele local, naquele dia, naquela vida, numa das vidas em vida que vivemos, como uma roseira que dá várias rosas, vários dias, vários anos.
No fim da roseira um dia a terra ficará seca, sem nutrientes, sem alimento, mas em nós ficará a memória, um alimento, não único mas um alimento, que juntar-se-á, a outros fazendo da vida um local rico, vivo, e nunca seco, onde uma rosa sempre nasce, e volta a nascer, uma rosa de várias cores, com várias pétalas cada uma diferente, depostas uma a uma, como pessoas depostas em si em cada mundo e, que exista a sensibilidade de uma rosa com alguma esperança de ser Viva.
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